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Tutor Consciente por Maria Andrea Siqueira

Receita para cachorro com alergia: dieta de uma proteína só

Por Atualizado em

A dieta de uma proteína só é uma dieta de eliminação: o cão passa a comer apenas uma fonte de proteína, de preferência uma que nunca comeu antes, e uma fonte de carboidrato, por um período definido. Ela serve para descobrir se a coceira, a otite ou a diarreia têm relação com algum alimento. Não é uma receita para fazer por conta própria: quem indica, conduz e interpreta é o médico-veterinário.

Neste artigo
  1. Por que tanta gente pensa logo em alergia alimentar
  2. Como a dieta de eliminação funciona
  3. Como escolher a proteína única
  4. Como fica o preparo na prática
  5. Os deslizes que estragam o resultado
  6. Checklist da dieta de eliminação
  7. Depois do teste
  8. Perguntas frequentes

Por que tanta gente pensa logo em alergia alimentar

Vejo muito tutor que chega dizendo “meu cão tem alergia a frango” sem ter feito nenhum teste. Às vezes é verdade. Muitas vezes não é. Coceira, lambedura de patas, vermelhidão, otites que voltam e fezes moles podem ter várias causas:

  • Alergia ambiental, a ácaros, pólen ou fungos.
  • Alergia à picada de pulga.
  • Infecções de pele por bactérias ou fungos.
  • Problemas hormonais.
  • Reação adversa a algum ingrediente da dieta.

A alergia alimentar existe, mas é só uma das possibilidades. Por isso, antes de pensar em receita, o primeiro passo é uma consulta com o veterinário, de preferência com experiência em dermatologia ou nutrição. Ele vai descartar as outras causas e decidir se a dieta de eliminação faz sentido.

Como a dieta de eliminação funciona

A ideia é simples de explicar e trabalhosa de executar. O corpo do cão só reage a algo que ele já conhece. Então, por um tempo, ele passa a comer só ingredientes com os quais nunca teve contato, ou com os quais teve muito pouco contato.

Na prática, a dieta tem três fases:

  1. Fase de eliminação. O cão come só a proteína e o carboidrato escolhidos, e nada mais. Essa fase costuma durar algumas semanas. O prazo exato quem define é o veterinário, conforme os sintomas.
  2. Fase de avaliação. O veterinário observa se os sintomas melhoraram de forma clara.
  3. Fase de reintrodução ou provocação. Se houve melhora, os ingredientes antigos voltam, um de cada vez, para ver qual deles faz os sintomas voltarem.

Sem a terceira fase, você não descobre a causa. Só sabe que a dieta nova funcionou.

Como escolher a proteína única

A escolha depende do histórico do cão. Por isso, a primeira tarefa é fazer uma lista honesta de tudo o que ele já comeu: ração, petiscos, sachês, restos da mesa, ossinhos industrializados, até o sabor do vermífugo mastigável.

SituaçãoExemplo de raciocínio
Cão sempre comeu ração de frango e carneUma proteína menos comum para ele, como peixe, porco ou outra carne que ele nunca comeu
Cão já comeu de tudoO veterinário pode indicar uma proteína pouco usada ou uma ração hidrolisada
Histórico desconhecido (adotado)A escolha fica totalmente com o veterinário

O mesmo vale para o carboidrato. Se ele sempre comeu arroz, talvez a escolha seja batata, mandioca ou inhame. Quem decide é o profissional.

Como fica o preparo na prática

Depois que o veterinário definir a proteína e o carboidrato, o preparo é bem simples. O difícil é manter a disciplina.

  1. Compre a proteína em quantidade para várias semanas, do mesmo fornecedor, para evitar variação.
  2. Prepare tudo em utensílios bem lavados. Restos de outra carne na tábua podem atrapalhar.
  3. Cozinhe a proteína em água pura, sem sal, sem óleo de outra origem, sem tempero.
  4. Cozinhe o carboidrato à parte.
  5. Misture e porcione conforme a quantidade diária definida para o seu cão.
  6. Congele em potes etiquetados.
  7. Acrescente só o que o veterinário liberou. O suplemento e o óleo usados nessa fase também precisam ser compatíveis com a dieta, sem sabores ou ingredientes de origem animal que estragam o teste.

Uma dieta de uma proteína só, com um carboidrato, não é nutricionalmente completa por si só. Para durar o período do teste sem causar deficiências, ela precisa de ajuste e de suplementação escolhidos pelo profissional.

Os deslizes que estragam o resultado

Na minha experiência, a dieta de eliminação raramente falha pela receita. Falha pelos “só um pouquinho”. Tudo isto conta:

  • Petiscos industrializados ou caseiros fora do plano.
  • Pedacinho de pão, queijo ou carne da mesa.
  • Biscoito que a vizinha oferece no portão.
  • Remédios e vermífugos mastigáveis com sabor de carne.
  • Pasta de dente com sabor.
  • Comida do outro cão ou do gato da casa.
  • Ossinhos, couro e brinquedos comestíveis.

Combine com toda a família, com a babá de cães e com o passeador. Se precisar de recompensa no treino, use pedacinhos da própria proteína da dieta, preparados sem tempero.

Checklist da dieta de eliminação

  • Consulta feita e outras causas investigadas
  • Proteína e carboidrato definidos pelo veterinário
  • Lista de tudo o que o cão já comeu entregue ao profissional
  • Família inteira avisada
  • Petiscos substituídos pela proteína da dieta
  • Remédios mastigáveis conferidos com o veterinário
  • Diário de sintomas: coceira, fezes, orelhas, pele
  • Data de reavaliação marcada

Depois do teste

Se os sintomas melhorarem e voltarem com a reintrodução de um ingrediente, você terá uma resposta concreta. Aí a dieta de manutenção pode ser montada sem aquele ingrediente, seja em AN caseira, AN pronta congelada sem a proteína problemática, ou outra opção definida com o veterinário.

Se não houver melhora, isso também é informação valiosa. Pode indicar que a causa não é alimentar, e o veterinário segue a investigação por outro caminho.

E sempre, em qualquer fase, nada de cebola, alho, uva, uva-passa, chocolate, abacate, macadâmia, xilitol ou ossos cozidos.

Perguntas frequentes

Posso fazer a dieta de eliminação sem o veterinário?

Não recomendo. Sem diagnóstico, você pode tratar uma alergia que não existe e atrasar o tratamento da causa real. Além disso, a dieta precisa de ajustes para não gerar deficiências.

Exame de sangue ou de pelo descobre alergia alimentar?

Muitos veterinários consideram esses exames pouco confiáveis para alergia alimentar. A dieta de eliminação continua sendo a forma mais usada. Vale perguntar ao seu veterinário.

Posso usar frango se o cão já comeu muito frango?

Em geral, não é a melhor escolha para o teste, justamente porque ele já teve muito contato. Mas a decisão é do veterinário.

A melhora aparece logo na primeira semana?

Nem sempre. A pele demora para se renovar, e por isso o teste costuma durar semanas. Não desista antes do prazo combinado.

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Precisa de ajuda?

A dieta de eliminação pede organização e muita disciplina, e eu sei como isso pesa no dia a dia. Na consultoria, eu te ajudo a colocar em prática o que o veterinário indicou: compras, preparo, porções e rotina da casa. Se quiser conversar, me chama no WhatsApp (62) 98485-1162.

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